17/10/08

Escolha de vida ou vida de escolhas?

Não me apetece escrever muito, não tenho tempo, nem para reflectir nem para perder.

Mas a verdade é que sou obrigado a lançar esta pergunta: É mesmo possível levar uma vida pacata, calma e com um sorriso nos lábios nos tempos que correm? É mesmo possível andar a estudar ou a trabalhar e nos intervalos das ocupações primárias do ser humano fumar uma erva e não se preocupar que daqui a 15 minutos há que estar ao máximo das capacidades? Desde quando é que é possível viver alegremente e com qualidade numa cidade em que para conseguir qualquer coisa que seja é preciso ultrapassar obstáculos saltar buracos tropeçar em agendas privadas deixadas a apodrecer nos sítios mais bolorentos?

Continuo sem entender. Considero-me eficaz, capaz, semi-inteligente e bastante inventivo, mas tudo que me falta ter é uma vida. Sair à noite, é para esquecer, tomar um copo em meia hora depois dum ensaio e mandar meia caneca de treta com um amigo, depois ir dormir para conseguir fazer algo no dia seguinte, ser sensível arrebatador surpreendente para quem merece e de quem se gosta é impossível pois é incessantemente na cinza da cabeça que se saltam os obstáculos e encontra-se a saída das vielas escuras, e luz não entra para ninguém, então para todos é-se um buraco negro.

Eu não escolhi isto. Não escolhi ter ideias, não escolhi a luta não escolhi a responsabilidade. Deparo-me com a falta de escolhas, ou melhor, com a inexistência da escolha de recusar.

No fundo gostava de me lembrar de tudo que foi primeiro... primeiro amigo, primeiro grupo de amigos, primeiro beijo, primeiro amor, primeiro namoro, primeira negativa, primeira desilusão, primeiras lágrimas engolidas. Tudo se repete se deixarmos que se repita.

O meu problema é que o constante fluxo de novos produtos com que a Sociedade Anónima da Vida me bombardeia não me permite saber o que é o reconhecer de uma coisa. Nada se repete. Tudo novo. Tudo com a corda na garganta. Estabilidade? Decididamente devia ter ido para gestão.

6 comentários:

Brunhild disse...

Este texto não se coaduna com a ideia q (já) tenho de ti. então?! baixar os braços, nunca!... só o tempo estritamente necessario para recuperar folego.

E olha que a area da gestão tb anda bastante negra...

Qd é q eu posso ter o gosto de o ver tocar? Alguma coisa em vista?...

CatFish disse...

baixar os braços porque? alguém falou nisso?...um lamento não é um desistir. se fosse assim diria que és desistente Gabriela...
como podes ter (ja) uma ideia que seja de mim. Pouco mostrei até agora. E pouco mostro até ao mais próximo dos amigos. mereço um elucidar...
janwierzba.wordpress.com
um pouco desactualizado mas amanha tratarei de actualizar.
bj*

Brunhild disse...

Oh, uma ideia muito pequenina... do tamanho de um grãozinho de areia. Mas tenho razão ou não... Não se coadnuna...
Aqui entre nós, às vezes desisto... :s

Vou até lá...
bj

Brunhild disse...

Tivesse vindo aqui ontem e tinha vindo a tempo para ir ao Palácio da Bolsa ontem... Fica p proxima! ;)

CatFish disse...

Querida Brunhilde... é 16 de DEZEMBRO :D ha tempo...
o comentário tem tudo a ver cmg... mas nao é um comentário desistente ,acredita... nao tem mensagem subliminar. coaduna-se ;) sem pensar mesmo. aqui foi um pco de mim. Dsc a desilusão.

bj*

Brunhild disse...

loooooooooool
Sim, de facto, acho q ja tempo...

Oh, não foi nada disso q eu quis dizer... Eu só queria deixar uma força, mais nada!
Eu acredito e não estou desiludida. Alias, venham mais bocadinhos de ti. ;)

bj grd